CPMF: e a novela continua…..

Novembro 13th, 2007

Pois é, a novela da prorrogação da CPMF continua. Cada dia mais chata, é bem verdade, mas ainda assim dando a maior audiência, ao menos na mídia. O governo diz que tem votos; a oposição aposta no contrário. E nós? Nós, simples mortais, esperamos do lado de cá do balcão para pagar a fatura, como sempre. E sequer temos a satisfação de ver a oposição aproveitar a discussão sobre esse tributo para forçar um debate sobre questões da maior importância para o país, como a saúde, por exemplo, que deveria ser o destino “carimbado” dos recursos da CPMF e não o é.
Eu, cá com a minha experiência de ex-repórter enfronhada no Congresso, acho que o governo tem mais chances de vitória, apesar da falta de tato de alguns de seus ministros, em especial de Guido Mantega, da Fazenda. Quando joga pesado, como vem fazendo nesse caso, dificilmente o governo passa pelo dissabor de uma derrota.

No final, a CPMF, que de provisória já não tem nada há muito tempo, deve continuar financiando sabe-se Deus o quê - pouco à saúde, sabe-se com certeza.

O que é mais grave nessa história é que o ano praticamente acabou, com a agenda política completamente dominada por apenas dois assuntos: CPMF e Renan Calheiros, que neste momento está, indiretamente, sendo ajudado pela polêmica em torno do tributo - sumir do noticiário, o assunto não sumiu; mas que perdeu força, lá isso perdeu.

O triste é constatar que a oposição vence mais um ano sem mostrar força ou competência para ao menos influenciar seriamente para a discussão de uma agenda verdadeiramente positiva para o país.

Sobre o Planeta Terra

Novembro 13th, 2007

ainda na ressaca dos shows, discordo do lucas que o evento precisa melhorar muito pra chegar aos pés do tim festival - até porque, vamos combinar, todas as últimas edições do TF aqui em são paulo foram bem meia boca para quem não teve condições de bancar área vip. o anhembi é de longe o pior local para ver shows que eu já fui. e não estou exagerando, juro! no rio, a história é outra, eu sei, mas ainda assim, o problema dos atrasos esse ano foi complicado. isso pra citar só uma das coisas ruins.

agora, tirando essa comparação, concordo que o terra teve uns probleminhas beeem chatos. pelo que li por ai, acho que talvez a gente tenha dado azar, mas não dá pra deixar de reclamar e relembrar dos seguranças indispostos e sem eduação, da má sinalização para chegar ao local, das entradas 1 e 2 (distantes uma da outra), do estacionamento caríssimo e super longe, dos menores barrados mesmo acompanhados pelos pais e, principalmente, dos banheiros químicos decorados com pedaços de árvores de natal (??)! oi? como assim? qual era a função daqueles galhos de cipreste no chão? e a falta de pias para lavar a mão? por favor! é o mínimo da higiene, gente, socorro! não dá.

agora deixando o lado esse coisa crítica que na verdade me incomoda um pouco, vale ressaltar que, à exceção do show do kasabian (o último da noite), não houve atrasos no festival. foi tudo super organizadinho. não rolou também aquele empurra, empurra e a correria característica para ver quem chega mais próximo à grade. eu, por exemplo, consegui ver todas as apresentações que quis de perto, sem o usual tumulto. o local era de fato bem espaçoso e os palcos estavam com um som bom, o que é legal e deve ser ressaltado com ênfase (só quem esteva no anhembi no ano da dobradinha strokes e arcade fire sabe o quanto é triste pagar e só ver, literalmente, os shows).

quanto às apresentações, bem, não assisti a tudo, mas me contaram que datarock e devo arrasaram. não vou negar que fiquei meio frustrada em sair de lá achando que só o the rapture fez uma apresentação realmente memorável (e põe memorável nisso). os nova-iorquinos colocaram todo mundo pra pular ao som de hits excelentes como ‘house of jealous lovers’, ‘get myself into it’ e ‘whoo, alright, yeah, uh huh’. isso pra citar apenas três. achei a lilly allen fraquíssima ao vivo. ela não fez o menor esforço pra cantar, a voz tava baixíssima e todas as músicas soaram meio lentas, deixando a platéia em uma clima de chill-out. gostei bastante de instituto, mas não tem como esperar nada menos do que um show bom deles. já o kasabian, o que tenho pra dizer é que sequer me interessei em assistir, ouvi meio descansando, meio conversando. ou seja, isso não pode significar algo bom, né?

O fiasco do Planeta Terra

Novembro 11th, 2007

Má organização, confusão e artistas que não animaram o público tanto. Assim foi o festival Planeta Terra, que aconteceu ontem em São Paulo e foi salvo, talvez, apenas pela banda norte-americana The Rapture. Seguranças indispostos a ajudar, burocracias desnecessárias - como as entradas 1 e 2 que, teoricamente, não aceitavam os ingressos uma da outra (mas na prática foi bem diferente) -, e uma organização muito mal feita com pouca indicação.

Com um line-up que prometia bastante, grandes nomes da cena musical de hoje deixaram muito a desejar no festival. Foi o caso da inglesa Lily Allen, que conseguiu fazer um show extremamente desanimado e medíocre. Para os fãs, Lily até cantou ok, mas mesmo as músicas mais animadas estavam meio paradas e sem força. E a própria cantora, extremamente bêbada, não empolgou.

Para não dizer que tudo foi ruim, a banda novaiorquina The Rapture, por sua vez, fez um show animadíssimo e que não deixou uma só pessoa parada. Em coro, a platéia acompanhou as letras de “House of Jealous Lovers” e “Don Gon Do It” aos berros e pulos. CSS também emplacou, mas de resto o público estava bem desanimado.

A produção do Terra ainda precisa trabalhar muito para atingir o nível do Tim Festival.

Desqualificação

Novembro 9th, 2007

Num país pobre como o nosso, em que a maior parte da população está vivendo de bolsas concedidas pelo governo federal, é chocante constatar - como fez o Ipea, em estudo divulgado esta semana - que sobram milhares de empregos porque falta mão de obra qualificada. O estudo corrobora uma triste realidade brasileira: a educação vai mal, muito mal. Não há investimentos qualitativos no setor: professores não são aperfeiçoados - na verdade, muito mal são formados; os cursos técnicos são insuficientes; as escolas tradicionais mal ensinam o básico; as universidades são, de uma forma geral, vergonhosas. E a pesquisa revela uma realidade ainda mais trágica: não há planejamento para a qualificação da mão de obra, pois, se faltam milhares de profissionais para preencher vagas em alguns setores que sequer exigem curso superior, apenas formação técnica, sobram profissionais qualificados em outros setores, como o da construção civil. Uns, como os outros, desempregados. Ou seja, é um samba do crioulo doido. Mais: é um contra-senso, que pode trazer graves prejuízos à economia nacional muito em breve, já que, nitidamente, sem um planejamento educacional que leve em consideração demanda  e oferta, determinados setores da economia podem começar a sofrer os efeitos da falta de mão de obra qualificada.

E falando em CPMF…

Novembro 8th, 2007

Engraçado…Não costumo ser (tão) crítico do governo, mas se tem uma coisa que me deixou desapontado com essa história toda de CPMF foi ver o quão egoístas nossos governantes são. Em discurso pró-Contribuição, Lula afirmou que, “se você não puder utilizar esse dinheiro [da CPMF], você vai ter de mexer em outras áreas”, e por “outras áreas” leia-se educação, saúde, etc. Para um presidente que se diz o “pai dos pobres” moderno, a medida é um tanto quanto estranha.

E aí vem a pergunta mais básica de todas: por que, ao invés de cortar verbas tão essenciais a um país já pobre, o presidente não faz um pequeno ajuste, para baixo, em seu salário, nos de todos os seus Ministros e nos dos outros políticos todos? São tantos cargos neste país que penso que não seria nem necessário cortar tanto, se fosse tirado um pouco de todos. Mas a ganância fala mais alto, é claro. Melhor tirar do bolso do povo que do de Lulinha paz e amor. E o pior é que ainda tem gente que diz que Lula é de esquerda…

O PSDB e a CPMF

Novembro 8th, 2007

O governo começa a dar mostras de confiança na aprovação da prorrogação da cobrança da CPMF, sem se importar muito com a decisão da bancada do PSDB de votar contra a medida. Ou confia em dissidências tucanas ou está muito seguro de que não haverá votos contrários na base governista e uma ajudinha de outros partidos de oposição. O curioso é que as negociações entre o governo e o partido ocuparam o noticiário nos últimos dias, ganhando ares de essenciais para a aprovação. Quem tomou conhecimento do noticiário foi levado a acreditar que, sem o PSDB, o governo estaria em maus lençóis. Mas, parece que o governo já não enxerga assim, mesmo que continue pressionando a bancada tucana via os seus governadores - afinal, nenhum estado quer perder receita, ameaça feita pelo governo federal aos estaduais para o caso da CPMF cair.

De qualquer forma, se terá um embate muito interessante entre governo e oposição, uma verdadeira medição de forças que servirá para balizar outras disputas futuras.

E o PSDB poderá, enfim, mostrar sua força. Ou não.

Desperdício de água

Novembro 8th, 2007

Com alegria, li hoje, na coluna de Mônica Bergamo, no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, que o governo do estado de São Paulo prepara uma mega campanha publicitária, de caráter educacional, para ensinar à população como poupar água e alertar para os riscos dos desperdícios. Em um país em que ninguém parece atentar para a questão, campanhas como essa merecem todo o apoio. Deveriam, inclusive, ter peças exclusivas e obrigatórias para as escolas. Atingindo as crianças e adolescentes, quem sabe não se atinge os adultos, que dão mostras explícitas de desperdício a todo momento - basta andar pelas cidades de olho nas calçadas, para ver o quanto se gasta de água para limpar o que poderia ser limpo com vassouras.

Aliás, neste momento chove torrencialmente na cidade de São Paulo. Em breve começam a circular notícias de alagamentos. E sabe de quem é grande parte da culpa? Dos cidadãos mal educados, sem distinção de raça, cor ou condição sócio-econômica, que jogam lixo nas ruas descaradamente, sem se importar com as consequências - bueiros, córregos, rios, tudo entulhado de lixo, transbordando e causando prejuízos à coletividade.

Enquanto isso, na terra das palmeiras…

Novembro 7th, 2007

Lá na terra do tio sam, a internet já deixou de ser novidade, produto / veículo de nicho. Na verdade, para muitos anunciantes, a internet já é mais importante do que a TV, pois grande parte dos consumidores passa mais tempo na web do que na frente da televisão.

Por aqui, a coisa é diferente. Mas nem tanto. Explico: segundo pesquisa da ONU publicada no Estadão de sábado, 3 de novembro, o Brasil já é o 6º do mundo em número de usuários (são 39 milhões de companheiros online, 21% da população). E, segundo o Ibope//NetRatings, nossos internautas passam 22 horas por mês na frente do computador - o maior tempo do mundo. Ou seja: temos massa (que, segundo um ex-professor de colégio, só existe mesmo na panela, mas em todo caso…) de usuário suficiente para que marcas, produtos e serviços possam aproveitar o canal em suas estratégias de comunicação mas não fazemos isso.

Acredito que a causa desse não aproveitamento seja a cultura das áreas de marketing das empresas e das agências tradicionais. Mas mesmo assim, aos trancos e barrancos, estamos entrando na digitalização (ou melhor, interação) da comunicação. Aos poucos a gente chega lá. O que me chama a atenção é menos o mercado privado e mais o mercado público (ou eleitoral, como quiserem). Por isso a comparação incial com a terra da liberdade.

Por lá, desde a penúltima eleição que a internet representa um papel significativo no mix de comunicação das campanhas. Desde simples sites, até verdadeiras estratégias virais e até arrecadação via web têm feito parte da comunicação de campanhas. E esse ano não vai ser diferente. Aliás, vai sim: esse ano, a internet ganha um papel quase que central. Os candidatos já têm seus canais no Youtube (que, aliás, está promovendo debates online - sensacional!) e até utilizam o Google Adsense para divulgar a candidatura e seus projetos.

E por aqui? Por aqui, nada. Pelo menos até agora, o que temos visto é um subaproveitamento da capacidade de nossos profissionais online. Muito pouco tem sido feito. A impressão que dá é que faz-se internet por que “tem que ter alguma coisa aí no www”. Uma pena. O Brasil não tem só bons profissionais de web. Temos boa estrutura de tecnologia também. E os nossos políticos não aproveitam. Preferem contar com as produtoras e os marketeiros para estarem na TV e no rádio, pois “é o que o povo consome”. Tudo bem. É mesmo. Mas por enquanto. Por aqui, se dará bem aquele que sair na frente e apostar em uma estratégia nova.

Aguardemos o próximo capítulo, que acontece agora em 2008.

Hélio Costa, o candidato oculto

Novembro 7th, 2007

A sucessão de Renan Calheiros na presidência do Senado corre solta, apesar da situação hipoteticamente estar temporariamente suspensa. No PMDB, partido que detém o direito regimental ao posto, resumidamente a situação é a seguinte: Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte, é por enquanto o único candidato declarado; José Maranhão, da Paraíba, foi escanteado depois que seus bois foram parar na imprensa. Já no PT, partido que tem o posto de vice e está momentaneamente no poder, Tião Viana, do Acre, vai deixando a vida lhe levar, feliz com a interinidade e sem querer dispender qualquer esforço para alterar a situação - nem ele nem qualquer outro petista.

E o quem tem Hélio Costa, o ministro do PMDB que está no título desta nota, com tudo isso? Posso estar enganada, mas é um nome fortíssimo para a vaga de Renan, correndo por fora, na moita como bom mineiro. Ao menos para mim, não será surpresa se ele, passada a votação da CPMF e com a TV digital praticamente no ar, ganhar impulso do governo para reassumir sua vaga no Senado, com a missão de ocupar a presidência da casa. É esperar para conferir.

Consumo musical

Novembro 7th, 2007

o box e os 7 discos do radiohead.

apesar de ser uma grande fã de internet e de todas as possibilidades que vêm junto com ela – inclusive baixar música de graça, claro -, eu ainda gosto bastante das coisas materiais mesmo. adoro livros, revistas, fotos impressas, filmes, shows e seriados em DVD e, principalmente, CDs. gosto de guardar minhas coisas na gaveta, esquecer lá e achar tempos depois. a idéia de ter tudo só na memória do computador, na verdade, me dá um pouco de medo. enfim, por quê eu estou falando disso? porque essa semana o radiohead anunciou a pré-venda de um box incluindo os sete discos anteriores ao in rainbows, último trabalho do grupo, lançado em outubro passado. os álbuns foram remasterizadas, terão as capinhas com a arte original e saem em formato digipack. não é demais? tipo sonho de consumo pra quem gosta tanto da banda quanto eu. não vou mentir que, apesar de ter todos os CDs deles, estou com os dedos coçando pra garantir minha caixinha de alegrias lá no site oficial. isso porque ela custa 39 libras, ou seja, uma fortuna em reais.

para os fãs mais animados, o radiohead vai lançar ainda um pendrive de 4 gigas, no formato do urso-ícone da banda, com os mesmos sete discos do box. ah, e é claro que as capas originais também estarão lá. o mimo tem um preço salgado, 79 libras, mas não é lindo? eu quero, socorro! se liga lá!pendrive urso!


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