O hype vs. o pop

No dia 29 último se apresentaram, em São Paulo, no Rio e em Curitiba, os artistas Björk e The Killers. Diferentes em quase tudo, ambos fizeram performances certamente inesquecíveis para os fãs. Ambos trouxeram à tona, também, um debate que já há algum tempo vem esquentando no meio musical: a diferenciação entre o que é pop - geralmente odiado pela crítica -, e o que é hype - o conceito de hype vem do inglês hyper, e a palavra é usada para designar algo que está em seus 15 minutos de fama, algo extremamente da moda que daqui a algum tempo cairá em esquecimento.

Para ficar mais claro: The Killers é uma banda pop norte-americana de rock, e Björk é uma cantora islandesa hype. O essencial dito, e dadas as devidas explicações, seria de se esperar que a crítica tivesse simplesmente acabado com Björk e detestado Killers. O que ocorreu, na realidade, foi uma babação de ovo para a islandesa. Ou seja, a crítica cultural de música se rendeu a algo extremamente vazio.

Não que Björk seja ruim, mas há um ano atrás não se ouvia falar na tal genialidade da cantora, e mesmo a conhecendo, as pessoas simplesmente não davam atenção. De repente, todos resolveram gostar da islandesa e dizer que ela é a melhor cantora do mundo.

O que não dá para entender nessa história toda é por quê a crítica detesta tanto tudo aquilo que é pop mas se ajoelha perante algo que, pior que o pop que faz muito sucesso durante muito tempo, faz muito sucesso em um curto período de tempo. Há uma inconsistência na argumentação daqueles que dizem que The Killers é ruim por ser muito comercial e por não inovar e que, não obstante, gostam de ouvir Björk desde Novembro de 2006! A boa música, pelo menos para a sabedoria comum, é justamente aquela que todos sabem cantar, que marca, e, assim como um produto, é aquela que vende - muito e por um tempo maior. Apesar de existir muita coisa pop ruim, também existe muita coisa que é pop e que é boa. Agora, querer dizer que uma pessoa que está na moda, que provavelmente será esquecida daqui há 3 meses é algo genial e revolucionário no mundo da música só pode ser brincadeira. Ou você gosta de pop ou não gosta. Não existe gostar desse pop mais imediato.

Assim como no cinema, os críticos de música estão começando a se tornar críticos em demasia e começam a só gostar daquilo que acham ser cult; estão se tornando dispensáveis, e, cada vez mais, se um deles diz que algo é ruim, é porque é simplesmente muito bom. E apesar das críticas negativas, para o público em geral - e aqui deixo de lado as pessoas que se enquadram no próprio conceito de hype - os dois shows foram muito bons, sendo o do The Killers mais animado. E o que importa mesmo não é a crítica do público? O que pesa nessas horas para o artista é a aprovação dos fãs e das pessoas, não a de meia dúzia de jornalistas - que, aliás, deveriam lembrar-se de que, tendo a formação que têm, não devem ser preconceituosos e nem ter a cabeça muito fechada para qualquer assunto, mas gostar de tudo um pouco e saber que no mundo existem coisas boas até aonde não imaginamos.

Leave a Reply


Close
E-mail It